Sobre Novembro de 63, de Stephen King

Maio 2014

Novembro de 63 (11/22/63)
Stephen King

O último bom livro de Stephen King que eu havia lido foi Saco de Ossos, de 1998. De lá para cá, entre uma e outra coletânea de contos (alguns ótimos, outros escritos para passar o tempo, como ele mesmo descreve num prefácio), li alguns romances forçados como Celular e Buick 8, além do razoável Love, de 2008 - razoável pra baixo, porque a história é meio chatinha).

Mas aí está uma agradabilíssima surpresa (porque achei que o cara já não se importava tanto assim com uma boa história), dessas que você se agarra na primeira página e só larga na última. Novembro de 63 é isso.

E é perfeito!

Além da ótima história, Stephen King a conta com uma leveza e poder deliciosos. O texto, contado em primeira pessoa, flui com uma suavidade viciante. E passa por momentos (muitos) de tensão e (mais ainda) emoção que surpreendem e te prende como só vi em obras primas como O Iluminado, A Coisa, Cemitério, A Hora do Vampiro e A Dança da Morte.

Resumir Novembro de 63 é um desserviço à leitura, mas se procurar por aí, o que você vai encontrar é mais ou menos: Jake Epping, um professor de inglês de 35 anos, volta a 1958 por uma "toca de coelho" (alusões a Alice, no nome dado à inusitada passagem, claro) com uma missão: impedir que Lee Harvey Oswald mate John Kennedy.

Só isso? A desculpa talvez fosse essa, como o próprio autor revela no posfácio do livro. Stephen King conta que pensou em escrever essa história em 1972, mas achou que não teria como bancar as pesquisas que ela demandava. Ele mesmo se diz grato por isso e devo concordar com ele que jamais poderia tê-la escrito antes de A Coisa e os eventos que contou da cidade de Derry naquele livro de 1985. Quem leu A Coisa certamente vai se
deliciar com a passagem onde Beverly Marsh e Richie Tozier, membros remanescentes do Clube dos Perdedores, encontram-se com George Amberson (alterego de Epping no passado) no meio da Colina Milha Acima, na assombrada Derry do fim de 1958.

A passagem é arrepiante para quem leu A Coisa e concordou com a chamada na capa que dizia ser aquela a Obra Prima do Terror.

Novembro de 63 é leitura recomendadíssima pela reconstrução de época (dá para VER os cenários e o Mundo de Antigamente nas narrações e descrições de Epping - ato falho: de Stephen King) e pelo enredo milimetricamente construído. Até as idas e vindas no tempo são cheias de surpresas e aguardadas com suspense e ansiedade.
LEIAM!

Um acréscimo:

Em 2015 foi anunciada uma minissérie para a tevê produzida por J.J. Abrams (se você não ligou o nome à pessoa, o sujeito foi responsável por séries fantásticas como Lost e Fringe, além de ter dirigido os dois primeiros e novos Jornada nas Estrelas e o retorno de Star Wars: O Despertar da Força aos cinemas) e neste exato momento (março de 2016, enquanto enxerto esse trecho no texto original do blog) ela está no ar, lá pelas bandas do Tio Sam.

Tem James Franco como Epping e o próprio Stephen King como produtor executido. Embora a história tenha algumas boas diferenças em relação ao livro, é uma produção fantástica, impecável do ponto vista técnico e de atuação.

Com 9 episódios programados, 11/22/63 (nome original do livro e da minissérie) pode até se tornar uma série com outras temporadas, segundo os produtores, mas torço de verdade para que não seja feito com o assassinato de JFK o que fizeram com Under the Dome.





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